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Como desenvolver e reter talentos no varejo

Como desenvolver e reter talentos no varejo

Por Redação Blog Gazin Atacado • 3/05/17

Além de saber como atrair, selecionar e contratar os melhores profissionais para sua loja, também é fundamental entender como desenvolver e reter talentos no varejo. E é sobre isso que vamos falar hoje!

Recentemente, publicamos a primeira parte de uma entrevista realizada com Sônia Rossi, gerente de desenvolvimento humano da GazinNo bate-papo, ela falou sobre os erros cometidos no processo de recrutamento e seleção no varejo e sobre como identificar e atrair os melhores talentos. Se ainda não leu, CLIQUE AQUI para fazer isso agora mesmo.

Dando continuidade a esse tema, na segunda parte da entrevista, Sônia fala sobre como desenvolver e reter talentos no varejo.

Entenda a seguir como a Gazin se tornou uma das melhores empresas para se trabalhar no Brasil e confira dicas da especialista sobre como analisar a satisfação dos funcionários, como desenvolver as habilidades e o conhecimento dos profissionais de forma prática e barata e muito mais!

O que a Gazin faz para atrair e reter tantos bons talentos que chegam a ficar décadas na empresa?

Sônia Rossi – O que a gente faz é a coisa mais barata e simples: investimos em criar um clima de respeito, camaradagem, orgulho e imparcialidade para que o funcionário se sinta importante na empresa.

Muita gente acha que para fazer a pessoa se sentir importante precisa pagar muito dinheiro. Mas não. Isso se dá no trato. Nós deixamos claro o que esperamos das pessoas. Temos cartilhas, placas espalhadas pela empresa, vídeos falando sobre isso. Mas, mais do que isso, temos líderes que tratam bem as pessoas e as fazem se sentir protagonistas.

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Além disso, sempre que temos orçamento, patrocinamos bolsas de estudo para que as pessoas possam crescer. Também compartilhamos conhecimentos adquiridos em palestras. Se vamos a um evento, transmitimos para o funcionário o que escutamos lá.

Isso tudo constrói algo chamado engajamento. Faz com que as pessoas não estejam presentes apenas de corpo, mas com a alma e um desejo de ficar com a gente por muito tempo. Tudo o que fazemos ajuda a reduzir a rotatividade na equipe. Somos uma empresa que atrai, treina e retém as pessoas que têm a ver com nossa cultura e DNA.

Como a Gazin se tornou uma das melhores empresas para se trabalhar no Brasil?

Ser um excelente lugar para se trabalhar é a base da política da gestão de pessoas da Gazin. O princípio de ser um Great Place To Work é produtividade – atingir lucro. Tem muita gente que pensa que em um excelente lugar para trabalhar não se trabalha, mas é exatamente o contrário. Se trabalha muito, mas se sabe exatamente o que fazer, como fazer e com que recursos. É uma forma organizada de juntar lucro e gente.

Nós fazemos isso por premissa de negócios. Muita gente não leva isso a sério porque acha que não vale a pena. Acha que é oba-oba, perda de tempo. Empresas inteligentes estão na lista das melhores para se trabalhar. Para nós, é uma vantagem competitiva de baixo custo e de alto impacto.

Como identificar se alguém está feliz e motivado?

Partimos de duas premissas muito simples: existe o lado afetivo e o efetivo. O efetivo você vê no desempenho da pessoa, nos resultados que ela entrega. Se está batendo meta ou não.

Mas tem gente que bate meta, mas está mal-humorado, de mal com a vida, com gastrite, taquicardia, tomando remédios tarja preta. Isso não é sustentável e é fácil de perceber. Basta olhar para pessoa que vamos ver se ela tem um sorriso no rosto, brilho no olho, como está a pele, como anda, como interage com as pessoas. É fácil.

Não tem como esconder gente boa. Essas pessoas têm brilho próprio. Elas podem até não saber muita coisa, mas têm postura aberta para aprender.

Como desenvolver pessoas na empresa sem gastar muito?

Há um mito de que é caro treinar pessoas. Não é. Se você fizer uma reunião por semana com a equipe para conhecer/debater o manual dos produtos, isso custa dinheiro? Se você reunir todos para assistir a vídeos no YouTube sobre produtos, sai caro? Claro que não!

Precisamos mudar a crença de que treinamento é caro. Em mais de 30 anos de profissão escutei muitas queixas sobre o risco de treinar e a pessoa ir embora. O maior risco é você não treinar e um vendedor ruim ficar. Assim, você terá na sua equipe uma pessoa que espanta clientes!

Todos os fornecedores têm materiais disponíveis. Devemos usar isso a nosso favor. Precisamos apenas reunir a equipe e colocar isso como uma premissa, uma prioridade. “Quero ter uma equipe que aprende todo dia porque sabe que vai ganhar dinheiro e vai ser feliz.

Temos o exemplo do esporte mostrando que excelência dá prazer. O cara faz um gol e sai pulando. Por que isso não acontece dentro da loja, na venda? A gente pode trazer lições do esporte de forma muito barata para as nossas empresas. Se estudar diariamente, você fica bom.

A Gazin faz isso diariamente. Nosso custo está em trazer as pessoas certas para cá. O jeito, o espírito, a maneira e o carinho que temos com as pessoas faz com que elas se abram mais para aprender.

A tarefa de aprender exige uma emoção, tem que ter um significado. Não pode ser algo impositor: “Senta aí que vamos aprender”. Isso não funciona. A conversa tem que ser: “Qual é seu sonho? Senta aí que vamos construir uma forma de vender melhor, vamos ganhar mais dinheiro e você vai crescer na vida.”

Às vezes, o empresário trabalha anos com uma pessoa e não sabe nada sobre a vida dela, não sabe quais são seus sonhos, se está passando por alguma dificuldade, se tem filhos etc. As relações de trabalho estão respaldadas por relações humanas. Não podemos nos esquecer disso. Somos gente.

Que livros e autores você recomenda aos nossos leitores que querem se aperfeiçoar e aprender como desenvolver e reter talentos no varejo?

Eu diria que existem grandes gurus. Um dos meus maiores gurus é o Ram Charam, o papa em execução. É um indiano de máximo respeito e o livro dele se chama Execução – a disciplina para atingir resultados. É algo que o brasileiro reclama muito. Temos muitas ideias, mas não executamos.

Depois, temos Jim Collins, o papa em administração e gestão de empresas. Recomendo a leitura de Vencedoras por opção e Feitas para durar. Sugiro também a leitura de Paixão por vencer, de Jack Welch, maior executivo do século XXI. Não tem como não ver o que ele pensou e escreveu.

Gary Hamel fala muito bem sobre estratégia. E nós precisamos de estratégia. Elas precisam ser competitivas e reinventadas. Vindo para o Brasil, temos o Peter Senge, autor de A quinta disciplina. Temos o Mario Sérgio Cortella, que escreve coisas maravilhosas com humor e nos dá banhos literários. Temos o professor Clóvis, filósofo que nos puxa a orelha de maneira bem-humorada. Temos Valdez Ludwig, temos o professor Marins.

Quais são suas dicas para demitir alguém?

Lidar com a demissão é uma consequência da maneira como você lida com o funcionário. Se você tem um clima organizacional bom, se vem constantemente dando feedback sobre o que está indo bem e o que precisa melhorar, no dia em que essa relação se encerrar, vocês terão um clima bom. A pessoa terá a consciência de que a empresa fez o seu melhor, fez o seu papel.

E como não tem mais o que fazer – porque, às vezes, empresa/colaborador não estão mais na mesma sintonia, a pessoa não tem mais vontade de trabalhar na empresa, no segmento, no cargo –, temos que encerrar de forma justa, de maneira respeitosa, acolhedora, mostrando relatórios, relembrando as reuniões de feedback. Demonstrar emoção. Vocês não precisam se tornar inimigos. Estão apenas encerrando uma parceria que não está mais dando certo.

A gente precisa ter carinho, respeito e ser transparente. Muita gente tem dificuldade de lidar com o conflito. Não fala nada “porque é chato”. Mas chato é mentir, virar a cara. A pessoa vai saber que a relação não está boa. Precisamos simplificar. Uma empresa produtiva é simples e tem verdades, transparência e respeito nas relações.

Recado final da Sônia sobre como desenvolver e reter talentos no varejo:

desenvolver e reter talentos no varejoGosto muito de um autor que diz que ninguém sabe tudo o tempo inteiro de todos os modos. O empresário precisa se permitir se colocar como aprendiz. Precisa rever sua cultura, seus métodos, suas práticas. O funcionário precisa ser ensinado a se reinventar, a fazer uma autoanálise, ver o que está fazendo, o que está ou não dando certo.

A loja precisa se conectar com o cliente, transferir valor para a transação comercial. Precisa ser uma experiência, que é o que o cliente quer. E nós, como seres humanos, temos tudo para provocar essa experiência de maneira inteligente, juntando todas as partes. O dono, o funcionário e o cliente.

Se seguir apenas essa dica, você terá produtividade, receita e lucratividade. Um excelente lugar para se trabalhar é uma empresa 48% mais rentável que a média no mercado. Quando a gente fala que não tem tempo de cuidar de pessoas, temos que rever, porque é algo que vale muito a pena. Essas empresas têm menos rotatividade, são mais produtivas, têm maior valor na bolsa. Uma empresa é construída valorizando pessoas e fazendo resultados sustentáveis.”

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Então, preparado para colocar as dicas da Sônia em prática? Desenvolver e reter talentos no varejo não é só sobre treinar os profissionais, mas sim sobre verdadeiramente ajudá-los a evoluir de forma alinhada aos valores da loja e às necessidades dos clientes.

Sucesso!

Imagens: Divulgação; Freepik

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