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Reflexões sobre o futuro do varejo

Reflexões sobre o futuro do varejo

Por Redação Blog Gazin Atacado • 4/04/18

Entender o mercado é fundamental para se destacar em vendas. Porém, “só” isso não basta. Se você quer que sua loja seja sempre relevante, precisa pensar também sobre o futuro do varejo. Neste artigo, propomos uma reflexão que tem o objetivo de ajudá-lo nessa missão. Vamos lá?

Se você tem mais de vinte e poucos anos, certamente se lembra das falecidas câmeras fotográficas analógicas. Com elas, fotografar era uma arte completamente diferente do que é hoje. Precisávamos colocar o filme na máquina, fotografar sem saber ao certo qual seria o resultado e depois levar o filme para revelar (processo que podia levar dias). Aliás, o momento de abrir o envelope e ver as fotos era especial. E como é divertido, hoje, rever fotografias antigas de família, não?

Deixando o romantismo de lado, o fato é que a fotografia analógica foi (praticamente) extinta com o surgimento das câmeras digitais, que ganharam popularidade no início do século XXI e em pouco tempo perderam espaço para os smartphones e suas câmeras cada vez mais complexas. É claro que profissionais e saudosistas ainda fazem experimentos com fotografia analógica, mas o mercado gigante que um dia existiu morreu.

O que talvez você não saiba é que a Kodak, que era um verdadeiro império fotográfico na época da fotografia analógica e viu seu negócio ruir porque não soube se adaptar, teve a oportunidade de ser a pioneira na fotografia digital na década de 1970.

futuro do varejo

A inovação surgiu dentro dos laboratórios da empresa, mas os diretores preferiram ignorar a ideia porque não acreditavam que as pessoas iriam preferir fotografias digitais às tradicionais impressas em papel e porque, principalmente, uma câmera que não dependesse de filme aniquilaria o principal produto da Kodak.

Por décadas, a empresa foi líder global no mercado de filmes fotográficos. Talvez por isso, achou que nada poderia afetá-la. Hoje é fácil afirmar que a arrogância, a falta de visão, a incapacidade de entender e se adaptar ao novo, que dominou a mentalidade dos executivos da Kodak naquela época, foram os pilares do pedido de falência em 2012.

Atualmente, a Kodak tenta se reerguer vendendo acessórios diversos para fotografia – como impressoras, filmes para cinema e soluções para indústrias –, mas está muito distante da gigante que foi um dia.

Abrace a mudança

futuro do varejo - mudanças

A lição que fica desse episódio é que se até uma das maiores empresas do mundo pode ser dizimada por não conseguir se adaptar a um novo mercado e a novos consumidores, por que o mesmo não poderia acontecer com cada um de nós?

Exemplos para ilustrar o quanto empresas tradicionais e de vanguarda perdem espaço por causa de inovações e avanços tecnológicos não faltam.

O caso atual mais popular provavelmente é o da Uber, que promoveu uma mudança na forma como as pessoas se locomovem nas grandes cidades e, consequentemente, impactou a vida de empresas de táxi e logística urbana.

Mas certamente você já observou mudanças impactantes aí mesmo em sua loja nos últimos anos, certo?

Nosso objetivo não é reforçar o quanto o varejo está mudando, como o e-commerce está crescendo e como novas tecnologias estão alterando a forma como o seu cliente pesquisa e compra produtos. Nossa missão é ajudá-lo a refletir sobre a importância de estar aberto ao novo, de entender que o que agora pode parecer estranho ou diferente demais, pode ser a regra em um futuro próximo.

Fórmulas repetidas não funcionam 

Recentemente, parte da nossa equipe esteve em Milão, Itália, participando de um evento que discutia os negócios do ponto de vista da humanização. Um dos palestrantes foi Chris Anderson, autor de best-sellers como A cauda longa e um dos principais nomes da atualidade em tecnologia.

Em sua palestra, ele contou uma história interessante sobre como até mesmo mercados complexos e multimilionários podem ser transformados quando surge uma inovação que abre novas perspectivas.

Em 2009, Anderson afirmou que um drone de 24 dólares seria o futuro do mercado aeroespacial, até então dominado por governos das maiores potências do mundo interessados em investigar o universo. Foi motivo de piada e risos.

A verdade é que as pessoas tendem a aceitar passivamente o que melhor lhes convêm. O pensamento crítico está em falta. Por isso, ficam cegas a oportunidades.

Quando existe um consumidor óbvio e com grande poder de compra em suas mãos, cria-se um ciclo vicioso de falta de inovação. Não se pensa em alternativas, porque a venda é certa e porque “sempre foi assim”. Mas não dá para pensar dessa forma em tempos em que a mudança é regra.

Novas perspectivas, novos mercados

futuro do varejo

Ao primeiro olhar, parece impossível imaginar que o tradicional mercado aeroespacial não poderia se tornar barato e acessível, certo? “Mas se eu cobrar menos, vou descobrir mais demanda”, declarou na Anderson em sua palestra.

A lógica desse pensamento estava ancorada na possibilidade de existirem clientes potenciais que hoje não são levados em conta porque não podem bancar milhões de dólares para ir ao espaço, mas têm grande interesse no assunto. É a chamada demanda reprimida. Anderson apostou na ideia e, em 2009, criou a DIY Drones, uma empresa que produz drones de baixo custo para que os próprios clientes montem em casa.

Leia também:

Gerar demanda: o segredo para vender bem mesmo em tempos difíceis

É claro que ele não pretendia que as pessoas construíssem foguetes para colonizar a lua por algumas dezenas de dólares, mas por que não explorar o céu com um pequeno avião e uma câmera?

Aí está mais uma lição: nem sempre a resposta está no que já existe.

NRF 2018

Chris Anderson criou um novo mercado inspirado em um que já existia. A DIY cresceu de forma intensa e rápida. Milhares de drones foram vendidos e, em poucos anos, a marca reuniu 85 mil usuários em uma comunidade de interessados em construir seus próprios drones recreativos.

Poucos anos se passaram desde então, mas o mercado de drones mudou muito. A entrada de novos fabricantes acabou freando o sucesso da DIY, mas ao perceber que (mais) um novo mercado havia sido criado – drones passaram a ter grande utilidade no agronegócio, na construção civil, na geologia e em outros setores –, os profissionais à frente da companhia mudaram o foco.

Nessa levada, a DIY se tornou uma comunidade gratuita para troca de ideias sobre drones recreativos e Anderson criou a 3D Robotics, empresa que produz softwares para esses aparelhos, em vez dos próprios robôs voadores. Assim, atualmente vendem não a máquina, mas a inteligência presente nela para grandes empresas.

Um exemplo que deixa claro o quanto que, se por um lado não podemos mudar o rumo da história, podemos fazer parte da sua construção, se estivermos atentos aos sinais que o mundo em constante mutação nos revela.

Anderson terminou sua palestra dizendo que “empresas ignoram disrupções que parecem brinquedos e depois não conseguem acompanhar”.

Se a Kodak soubesse disso nos anos 1970, será que ela continuaria sendo a gigante que foi no passado?

Hábitos, manias e falsas convicções

Até aqui demos exemplos de grandes empresas e inovações tecnológicas que parecem ser distantes da realidade do varejo, mas se exercermos o pensamento crítico, não será difícil perceber que a mesma lógica se aplica a outras frentes.

O ser humano é feito de hábitos e manias. Todos acreditam em suas próprias verdades, mas não por isso elas são, de fato, verdades absolutas.

Quer um exemplo?

Como você reage quando alguém lhe apresenta uma ideia nova sobre como fazer algo que você sabe fazer muito bem e com o que está acostumado há anos? Ser cético, não acreditar, ignorar ou contestar geralmente é a primeira reação do instinto humano. E é justamente esse o ponto que precisa ser contestado.

  • Sim, o varejo está mudando.
  • O consumidor está mudando.
  • As tecnologias estão mudando.
  • Tudo isso de forma muito rápida e intensa.

Mas entender que as mudanças são naturais e mais fortes do que a sua vontade e do que o que você quer para sua empresa é o que pode guiar você e seu negócio ao futuro. Lutar contra isso é carregar dentro de si um pouco do espírito Kodak, aceitar passivamente o que melhor lhe convém e não exercer seu pensamento crítico.

O que você tem feito para se manter relevante no futuro do varejo?

Imagens: Bigstock

Artigo publicado originalmente na Revista Gazin Atacado.

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